Olho à minha volta, sinto ainda o teu cheiro...
No cinzeiro a limpeza dos cigarros que não fumaste, no copo o vazio do Porto que não bebeste. Ainda oiço os pingos que caem do chuveiro, daquele duche que acabaste de não tomar e lá fora, a Lua alta testemunha a lágrima que rola da minha face, por tudo aquilo que escrevi, mas não vivi. E sozinha, mais uma vez vou-me deitar! Vou dormir o sonho de não acordar e te ter perto de mim...
Procurando saber o segredo que guardas no teu sofrer
A calma que releva do meu jeito de tanto te amar
A infantilidade e pureza que emanam do meu prometer
Como as ondas que batem na areia e espumam de tanto chorar
Como os olhos que coram sensíveis de tanto prazer
Absorta nos meus pensamentos eu vivo a imaginar
E acordo, sem nunca ter dormido, no teu amanhecer
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Um dia decidi que me aventuraria na escrita em Inglês, e o primeiro texto que escrevi nessa língua saíu assim.
Hoje decidi traduzi-lo para a minha (nossa) língua e este é o resultado:
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O nosso último silêncio foi muito intenso e prolongado. Lembras-te? - Disseste-me: "nunca tínhamos estado tanto tempo em silêncio". Sorri-te, embora tu não visses porque eu estava de costas, mas respondi-te que este nosso silêncio não era um silêncio silencioso ou vazio, mas um silêncio cheio de poesia. "Nem mais" - respondeste.
Durante todo o tempo que durou este silêncio, estive num lugar seguro, isento de problemas, desilusões ou frustrações. Senti a paz que vivias no respirar quente e pesado sobre o meu ouvido, enquanto os teus braços me enlaçavam docemente. "Não estou a dormir, disseste-me" - e eu sorri novamente... mas tu não viste.
Sabes o quanto desejei ter-te assim a cada acordar do dia? Sabes o quanto sonhei poder recorrer ao teu corpo daquele lado da cama quando acordo a meio da noite? Sabes como imaginei começar os nossos dias?...
E todos os silêncios entre nós eu queria que fossem como este. Contendo em si todo o sentimento do que é bonito de viver sem medos, sem culpas. Enquanto estivemos ali, enroscando os nossos corpos e sentindo o calor que esse contacto provocava, eu sonhei assim:
Vem tatuar na minha pele... a tua pele,
Vem desenhar o teu corpo a papel químico... sem papel,
Vem deixar-te em mim como se partisses,
E volta sempre sem nunca teres ido embora.
Aqui me encontras... sempre!
Vem devorar a poesia das palavras
Vem beber do sumo das nossas almas...
Vem escrever a sofreguidão das nossas letras,
Vem receber o amor com que me acalmas.
Aqui me encontras... sempre!
Vem entrelaçar os teus nos dedos meus,
Olhar-me fundo tocando o coração,
Vem ficar junto partilhando a vida
Num breve momento de solidão...
Esta é uma melodia... só nossa...
Aqui me encontras, sempre!
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Wave - Tom Jobim
[2011/03/10]

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A cada dia, dia após dia, abria a minha janela para ti.
Recebia-te e ao teu calor que me aconchegava,
como quem te sorri, abraça ou até beija .
Aquecias-me a alma com o teu intenso nascer,
chegavas de mansinho, sempre com um carinho
e eu sentia-me uma princesa que renascia pelo teu alvorecer.
Quando não te via no meu acordar,
era porque algo maior te estava a demorar.
Algumas nuvens ou neblinas matinais
mas tinhas sempre forma de me chegar
tinhas sempre forma de me enviar sinais.
Olhava-te com admiração e alegria, olho-te ainda
não deixes nunca, por favor, de brilhar
não há nada no Mundo que se compare
A tua Beleza, em todos os sentidos, é ímpar...
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Desbravei caminhos de enleios.
Entreguei-me sem medo ao percurso armadilhado das emoções.
Arranhei-me nas silvas do sentir, afundei-me nas areias movediças da amizade...
Acordei, sem ter dormido, noites sem fim de estrelas e luares, ...
choveu, secou e voltou a chover e eu não parei...
Despi-me... E ali... onde todos os meus caminhos vão dar...
deixei-me cair exausta nos braços que me acolhem num carinho que parece não ter fim...
Aqueci-me sem sequer ter percebido quão gelada estava...
Escorreguei nas mãos que abarcam todo este mundo
e deixei que pequenas gotinhas do meu orvalho gerassem um oceano.
Assim, calma e tranquila já... adormeci
A tua LUZ foi o que me guiou...
...como é bom chegar e ver a tua Luz...
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Marquei aqui um encontro comigo
Cheguei a horas mas ainda não estava
Começa mal esta nossa questão
Chegar tarde não é coisa que se faça
Quero olhar-me olhos nos olhos
Dizer-me tudo aquilo que penso
Quero depois ver a minha reacção
Sem dúvida que aqui eu pertenço
Mas que lágrimas são estas nos meus olhos?
Porque tremo assim sem razão?
Digo-me a mim própria não vale a pena
Sinto as batidas do meu coração
Acalmo-me, respiro fundo
Ainda bem que aqui eu me encontrei
Já sei que um dia que eu desapareça
Para estar aqui eu tudo farei!
2006
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Can you hear the whispers that I swallow
Can you smell the perfume of my cry
Can you tell the steps that I follow
Can you touch the time that passed me by ...
While I watch the moon that gentle smiles
And see the stars that twinkle near
I feel the rhythm of my heartbeat
And I can't avoid one more tear
And when I think of those eyes of yours
With such light that make me shiver
I wonder how it'll be next time
When I have the chance of having you near me
In the moment that I write this lines
Somehow I know I’ll dream of you
I let my thoughts run through my mind
And still have time to say "I LOVE YOU !"
And then, I fall asleep...
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Encontro Anual dos Amigos de Huambo, nas Caldas da Rainha.
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... e com ela a calma crescente de mais um dia de trabalho chegado ao fim ...
A mente orienta o pensamento para ti, novamente. Tu existes!
Olho à minha volta ... sinto ainda o teu cheiro ...
No cinzeiro, a limpeza dos cigarros que não fumaste,
no copo, o vazio do whiskey que tu não bebeste ...
Ainda oiço os pingos que caem do chuveiro, daquele duche que acabaste de não tomar ...
Lá fora, a Lua alta testemunha a lágrima que rola da minha face ...
por tudo aquilo que escrevi, mas não vivi ...
E sozinha, mais uma vez ... vou-me deitar!
Vou dormir o sonho de não acordar e te ter perto de mim ...
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Pés descalços, cabelos ao vento ...
Na cara desenhados os rios salgados
Que correm apressados e que não desaguam no mar,
O Sol queima o meu corpo perdido
Que nú se encontra estendido
nesta areia dourada ... salgada.
E que se estende até ao mar
O vento traz até mim a maresia
Como um toque de magia
A pele macia acusa o seu pegajar
E o seu odor me inebria
Tanto quanto eu queria
Sentir-te aqui para te amar ......
"Numa Praia qualquer" ...
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Esta amálgama de sentires, de viveres
Que ocupam o espaço do nosso corpo
E que juntamente com a nossa Racionalidade
Formam a nossa imagem pouco a pouco...
O Ser...
Sofrendo as influências de cada dia
De cada pessoa que passa por nós
Unindo de mãos dadas as diferenças
Nunca permitindo estarmos sós...
AMIGO:
Marcas [te] bem fundo o meu Ser
Olho-te com amor e com carinho
Podias ter passado ao lado
Mas foste ao meu encontro no caminho...
Porque os teus cuidados são verdadeiros
Não apenas de circunstância
Ganhaste a minha admiração e gratidão
Entre nós não há distância...
OBRIGADA!
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Um passado que irá eventualmente acontecer
Porque passou o futuro aqui mesmo ao meu lado
E me disse ao ouvido para eu não te perder
Corro sem rumo, sem destino ... direita a ti,
Busco lá atrás uma luz, um sinal
Alcanco-te no infinito da tua imagem
Passaste por mim, onde foste afinal?
Quedo-me sem forças nas minhas memórias
Luto, esperneio, grito a minha dôr
Até onde alcança o meu grito silencioso
oiço a tua voz, experimento o teu amor ...
[2006]
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Sem som, o seu destino é o papel
Mas o destinatário ... embora não me ouça
Sabe bem que levam um travo de mel
Às vezes saiem em grito mudo
em súplica, em busca de receptor
outras, caladas ou tímidas mas seguras
Exalando calor, ardor e amor ...
Os tempos verbais que as vão servindo
Conferindo-lhes a forma do sentir
Variam entre o presente que vai existindo
E o futuro que ainda está para vir
Nesta história de palavras e sentires
Atribuamos ao coração todo o mérito
Mesmo que um dia olhe para trás
E verifique que está escrita no pretérito
Se assim fôr, possa sorrir porque não?
Foste sem dúvida o meu eleito
A TI entreguei minha alma e coração
Serás um pretérito mais que perfeito!
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Há quanto tempo é que eu senti
E sentindo tanto e tão forte
Conforme o senti, o escrevi
Mas desde que tudo mudou
Tentei mudar meu sentir
E na forma do meu escrever
Encontrar maneira de não fugir
Mas fingir também não é opção
Não sentir é coisa que não se põe
Não escrever mata o meu coração
Não te ver ... mais do que se supõe
Os dias passam e a nostalgia toma conta
A saudade aperta o coração que sofre
O coração chora, e dos olhos a água brota
E o que vivemos, a razão encerra num cofre
Oh razão ... diz à alma que não sofra
Que a vida está toda aí para ser vivida
Faz com que ela te oiça com atenção
E que possa sair da situação sem ser ferida
2007
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Já falei de colorir...
Hoje, a minha paleta de cores está gasta,
Não por falta de cor, mas por falta de tinta...
Nela, as marcas de todas as cores, misturam-se. Tons, tonalidades que foram pintando os meus momentos.
Fui-me usando dela sem pensar, que um dia a tinta poderia acabar,
De alguma maneira, as palavras me saiem coloridas, as alegres, mas também as tristes, as que vivenciam esperança ou as que testemunham desesperos...
As palavras coloridas exalam os aromas doces dos sentimentos, mas também os aromas acres desses mesmos sentimentos.
Somos feitos do sentir...
Não tenho, hoje, tinta na minha paleta, para vos dizer que estas palavras estão escritas a verde esperança,
Mas tenho cor na minha vida para vos fazer sentir que sinto azul de paz.
Sei quem sou, sei o que quero ...
Quero um arco-íris de sentimentos!
[2009/03/03]
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Hoje apeteceu-me voltar a postar algo que escrevi há muitos anos atrás, lembro como se fosse hoje, para um concurso de "poesia" do Liceu. Acabou por ser escolhido para a exposição do Dia Internacional de Poesia e acabei eu própria por ter de o ler em frente de toda a turma... enfim, nem tudo é poesia :)
1991, estavamos em 1991...
"Como o vento e a terra tudo há-de acabar
o que o meu coração não aguentar, esqueceu ou deixou de amar.
Como tudo tem um FIM, a paixão morreu em mim
mas a imagem continua presente...
Agora e para sempre.
Aquela imagem de encantar
porque uma amizade nunca acaba
com a possibilidade de amar
sim... amar...
Mas de uma maneira diferente
já não quero mais chorar
mas levantar-me e seguir em frente
Enfrentar o amor, o amor e a saudade
porque amar não é só sofrer na minha idade
Amor, amar, o que será na realidade
será alegria, será dor
ou será apenas saudade
saudade...
saudade que ainda sinto
saudade que não vou esquecer
saudade que não evito e que levarei comigo até morrer...
Saudade e não só
alegria, respeito admiração
tudo o que sinto por alguém bem dentro do meu coração
Mas quando percebi, já tarde
que em toda a confusão
eu perdi... eu sofri...e algo morreu dentro de mim
Sem lágrima... sem dor... mas com AMOR
Eu descobri, que depois do que vivi
eu não consegui ser... EU
Mas nunca há-de voltar
aquele dia solitário e viril
Duma linda tarde de Abril
em que à nossa volta existia apenas uma espera
uma espera pelo dia teu... dia meu...
dia que o mundo esqueceu porque tudo acabou e nada mais existe...
sinceridade apenas
sinceridade que tarda mas não falha,
como o ingénuo primeiro espinho de uma rosa dentro de um coração pequeno
pequenino como o de um pássaro que não sabe voar porque ninguém lhe ensinou
e ninguém consegue ver o coração que não suspirou
coração que se tornou de pedra
coração que não quer viver
coração que sofre pelo amor que ACABOU..."
[2009/02/18]
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Se do alto de nós próprios
Local ermo e inatingível
Não conseguirmos ver
O que parece impossível
Então é melhor sairmos
De dentro de nós próprios
Para podermos sentir e observar
O que para outros é óbvio
E se depois em nós ficar
Uma estranha sensação
De que não fizemos tudo
Em prol do coração
Só nos resta esperar
Dar o que temos para dar
Que o tempo quanto ao resto
Tudo há-de solucionar...
[2009/01/15]
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