23:11


foto tirada daqui



Foo Fighters - Rope

Amor, A_corda...

A_corda-me os pulsos de novo e ama-me como só tu sabes.
Ri-te de improviso, castiga-me com o teu sorriso,
e as mãos que sentem o calor,
que me marquem para sempre com a tua dor.
A_corda, meu amor,
estrangula o pudor, vence o desamor,
coragem, não existem limites,
a_corda-me, enche-me do teu corpo,
desalinha-me o Mundo todo,
não me deixes sequer regressar,
parto numa viagem para não voltar,
desse lugar que só tu conheces.
Danço n_a_corda bamba
quando a_corda_s o teu sentir,
quando te permites ser feliz.
Quando de nós há um que a_corda
e ata as duas almas sem dar um nó,
e fica olhando, admirando extasiado
prendendo um coração cheio de desejo
e não vê a hora de voltar a sonhar...

A_corda, meu Amor, a_corda_me...
A_mo_te...

[2011/08/01]
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23:38




Skunk Anansie - Secretly

Sustenho a respiração. Ou será que me estou a sufocar?
Tento focar, mas o horizonte não é mais do que uma amálgama de recordações de matiz esbatida onde se confunde a noção do real com o delírio.
Por momentos sinto-me pegar fogo, sinto as lágrimas salgadas percorrerem-me o sangue e um rubor assomar à minha face. Correm-me mágoas abaixo da epiderme que provocam uma reacção inusitada em mim, fico parada, estática, olhando o vazio da não existência, sentindo a intensidade do silêncio, por contraste com o reboliço que me vai no corpo.
A mente está dormente, e a luz apaga-se nos meus olhos.
Vejo-me derramada pelas paredes de uma cidade como um grafitti numa manifestação de protesto, em cada gota de tinta que escorre das letras habilmente desenhadas, esvai-se mais uma gota do meu sangue. A velocidade frenética da cidade entrou-me no corpo mas a minha mente não a acompanha, e por isso vou-me deixando ficar em cada esquina mais um pouco. A cada sinal vermelho. Quando recomeço já não vou inteira.

Respiro fundo. Sensação de que estive em apneia muito tempo, um desconforto, uma secura imensa na garganta.
Volto lentamente a mim e num suspiro aliviado percebo que estive sempre ali, inerte, porém faltam-me pedaços perdidos numa viagem sem regresso, porque sempre que embarcamos em algo, nunca seremos os mesmos no regresso.

Não sou menos, ou mais ... sou só Eu...

[2011/07/21]
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Não quero escrever, não sei! Apenas dizer...

... a quem encontrar o pedaço que está em falta, por favor...

Devolva-me!

[2011/07/02]
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23:45


foto tirada daqui

Um dia decidi que me aventuraria na escrita em Inglês, e o primeiro texto que escrevi nessa língua saíu assim.

Hoje decidi traduzi-lo para a minha (nossa) língua e este é o resultado:

Insanidade

A noite chegou
O Sol põe-se no horizonte
estou perdida nos meus pensamentos
pensando como será o amanhã.
Os olhos perdidos no nada
passo a passo instinctivamente,
E aqui vou eu...
De repente eu estava lá,
o mar mesmo ali à minha frente,
a vida à espera de ser enfrentada
à espera que as minhas lágrimas fossem choradas
que se partilhassem os meus pensamentos.
Como cheguei aqui?
Vim a correr? A caminhar?
Gargalhava? Estava a chorar?
Ou simplesmente calada?
Caí? Falhei?
Reergui-me?
Tive ajuda?
Não me recordo...
Amei? Odiei?
Não me recordo...
Estou apenas aqui, entre nada
sem a menor ideia de como aqui cheguei,
mas estou aqui!
o que fiz eu com o meu tempo?
O que fiz eu com a minha vida?
Onde perdi a minha sanidade...??

[2011/06/20]
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23:51


Le lien @olhares.com por R de Rien



João Pedro Pais - Mentira

O mesmo pedaço de tecido que nos deslaça também nos pode sufocar...

" ... tenho saudades de te ver, vontade de te abraçar(...) 
Porque é que a vida nos fascina, tantas vezes nos domina, acreditar que no amor, não existe dor... mas é mentira (...) "

[2011/06/13]

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00:30


The reader @olhares.com por R de Rien

Hiding my heart away - Brandie Carlile


Subjugado, prepotente,
conquistado, ou conquistador,
mas sempre quente!

Controlado, sem controlo,
consciente ou inconsciente,
mas sempre louco!

Desconhecia alguns parâmetros do prazer,
talvez porque entre nós não há limite,
descobrimos as nossas próprias fórmulas,
e que não há loucura que nos evite.
Retiramos do fundo mais um pormenor,
trazemos a lume uma inspiração,
e um último suspiro que sucumbe
nas profundezas de uma emoção.
E quando nada mais faria prever,
que um último sinal ainda iria nascer,
tu deslaças no acordar,
o gemido que estava a faltar,
e sem palavras,
seguindo o instinto,
aproximo-me, e vingo,
o êxtase, contido...


[2011/04/24]

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Não tenho hipótese! Às 6 horas da manhã sou literalmente posta fora da cama, pela própria. Não lhe interessa se me apeteciam mais dez minutinhos de ronha, não se compadece com o facto de mal ter dormido, nada mais lhe importa senão tirar o peso do meu corpo de cima de si. Os blackouts nas janelas correm deixando entrar no quarto a claridade de um novo dia que amanhece.

Contrariada, cambaleio até à casa de banho onde o duche já corre. Sabe-me bem ser massajada pela água tépida nesta manhã tão igual a tantas outras. Tlim... abro a pestana, que até agora apenas se mantinha semi-aberta. Mas que dia é hoje? Hoje não trabalho, estou de férias! Mas que droga esta de tecnologia que não adivinha que estou de férias e que podia ficar não apenas mais dez minutos mas a manhã inteira na cama se assim me apetecesse. Terminei o duche e dirigi-me ao quarto deitando um olhar fulminante à cama que parecia rir-se de mim.

Bom, já que estava acordada mais valia aproveitar o dia!

Fui para a varanda saborear a minha torrada e o meu sumo natural de laranja. Sou uma mulher moderna sim, mas moderna de espírito, não compactuo com estas invenções de tomar umas pastilhas que substituem os alimentos, e eu que até nem sou grande admiradora da cozinha, cada vez mais me rendo às suas maravilhas.

Olho a cidade que se movimenta lá em baixo, frenética, impaciente, mal-humorada. Comprei recentemente um filtro que permite que o ar aqui na minha nuvem seja mais respirável. A verdade é que com todos os avanços tecnológicos não fomos capazes ao longo dos tempos de acabar com os poluentes, isso seria um grande rombo no negócio de tantos que não se preocupam com o bem estar do planeta. Não há bela sem senão e então estamos assim, ainda muitos poluentes são lançados na atmosfera, embora já tenha passado o tempo em que tínhamos de andar de máscara na rua.

Olho para trás e vejo que afinal de contas não evoluímos assim tanto. Ou pelo menos não soubemos evoluir. A evolução não contém em si, ou não deveria conter, uma total perda de personalidade, de ideais. Sim, podemos evoluir mas sem perder o que temos de tão bom.

Acordei um dia num Mundo que tinha perdido a sua identidade à custa sabe-se lá de quê. Uma espécie de "revolução industrial" dos tempos modernos, ou seja, uma "revolução tecnológica". Sim, foi benéfica para muitos sectores, mas o Ser humano nunca para, quer sempre mais. A dada altura as pessoas deixaram de socializar, viviam cada um para seu lado e mesmo dentro da própria família cada um tinha o seu próprio mundo, onde uma tv e um computador eram tudo o que necessitavam. Perdeu-se o hábito de conversar, as pessoas foram-se esquecendo do uso da palavra, e até a escrita foi sendo substituída por códigos de simples utilização.

Entrei em depressão. O que estavam a fazer a este mundo, o que estavam a fazer às pessoas, eu não podia aceitar que isto acontecesse. Sim, eu gostava de tecnologia, do que ela me podia oferecer, mas com conta, peso e medida. Também quero conversar, rir, passear e almoçar em família e com amigos, não quero ser um Eremita dos tempos modernos. Foi um susto muito grande.

Era ali, na minha varanda sobre a cidade, que todos estes pensamentos me corriam na mente. Senti-me feliz por ter ido viver para uma nuvem. Não me considerava uma pessoa snob ou mesquinha, mas o que é facto é que prezava acima de tudo o bem estar e algumas das preciosidades que o antigamente me proporcionava e por isso faço tudo por perpetuar lembranças e hábitos ou costumes. Só na minha nuvem sobre a cidade isso é possível, e quando saio da minha casa e entro no meu carro voador, movido a energia solar, sorrio enquanto olho para o retrovisor e penso nos dias em que demorava 2 horas no trânsito para chegar ao trabalho num para/arranca infinito.

Hoje sou feliz!

Vivo num futuro só meu onde recebo de braços abertos todos que me queiram acompanhar e se comprometam a não desvirtuá-lo.

Obrigada passado por me ofereceres este futuro...

Texto escrito para: Fábrica de Histórias

[2011/04/17]

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00:22


O retrato errante XVII @olhares.com por joaoveríssimo



Áurea - Busy (for me)

Desfoco o meu pensamento do real.
Focalizo o ideal, melhor, o essencial.
E assim surges.
Surges-me no sorriso,
surges-me no arrepio da pele.
Admiro o desenho dos teus lábios
a forma peculiar dos teus olhos me olharem.
Estás no registo do meu negativo,
na objectiva da minha alma,
quero-te na câmara escura onde te revelo...
... onde nos revelamos...
posamos um para o outro como obras de arte,
alternamos os flashes, ora em mim, ora em ti,
e no fim, quando nos materializamos no papel,
ali se encontra a reprodução mais fiel,
da imagem que de nós releva,
só nós vemos, só a nós interessa.
Depois, rasgamos as provas,
voltamos ao real,
afinal estamos na era do digital...

[2011/03/18]
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23:17



... aquele meu lugar?
Procuro, procuro, sem nunca o encontrar.
Onde me escondo da minha sombra,
e fujo dos meus pensamentos,
onde não oiço as lágrimas que rolam,
nem os meus lamentos.
Não sei onde fica, o lugar que me pertence,
sei que é feito de sorrisos,
de momentos vividos,
de partilhas de emoções,
de mar, chuva e canções,
mas o que hoje me parece,
entre estas paredes que me sufocam,
é que esse lugar não existe,
que eu não sou quem penso ser,
não tenho lugar, nem sei respirar,
não pertenço,
não existo...

... mas resisto... (acho)

[2011/03/08]
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00:00


A MÁSCARA E A PELE @ olhares.com por Analua Zoé


Chegas sempre trémulo, não é do frio, ou da falta de ar provocada pelo apertado abraço em que nos envolvemos!
É da ansiedade que trazes, do desejo que não escondes, da saudade...
Encontras-me trémula. Não tenho frio também. Saudades, muitas!
Estou num estado de ansiedade igual ao teu, e o meu desejo não é menor.
Entre nós dá-se uma qualquer reacção química ainda por descobrir, não por nós claro, onde arriscamos sempre cada vez mais os limites do convencional...
... bom, na verdade, os limites do não convencional....
É essa tua pele, quente, doce, que me vicia, que quando me toca me faz sentir viva, e esse olhar... profundo, que me faz sentir bonita por debaixo de um mal tratado corpo, que tu não vês.
Apenas sentes, quando impetuosamente me tocas, me tornas tua, sem pudores!
Eu não os tenho...
Quero apenas sentir, sentir com força, a tua pele cravada na minha!
Juntos, na nossa loucura, nada tememos, nada negamos, e tudo, simplesmente tudo...

... é à flor da pele...

Um caso sério de pele, este...

[2011/02/22]
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O Tempo passa, o Amor não @olhares.com por Ana Rita Rodrigues



Vivaldi - Four Seasons (Winter)
Em mim vivem as Quatro Estações, numa coexistência nem sempre pacífica, nem sempre difícil.
Albergam-se na minha alma, numa conquista nem sempre consentida, tomam-me por sua, quando estou numa quinta estação que é só minha, intransmissível.
Quando sinto o Inverno querer vencer a Primavera que há em mim, luto com todo o meu Verão de sorrisos e de forças descobertas por acaso, fruto da época de Outono, que me antecedeu o Verão...
Não estou certa... qual o ritmo verdadeiro das estações do ano em mim, elas antecedem, precedem  e mesclam-se aleatoriamente e sem sentido, provocando as maiores intempéries nos sentidos do meu Verão, prolongando por tempos indefinidos a secura do meu Inverno, mas uma coisa é certa, não há um dia da minha vida em que eu não sinta, o calor reconfortante de todas elas, o frio entre cortante de todas elas, e a mescla de sentires, sensações, que resultam das minhas emoções, enquanto as estações, baralhadas pela minha insensata genuinidade, rogam a minha misericórdia, para que deixe cada uma delas no lugar, para que o tempo possa naturalmente caminhar, e para que o Outono da vida não tropece, para que o Inverno chegue sempre no seu jeito cadenciado, precedendo a Primavera de tanta alegria e permitindo que o Verão, que a todos contagia, possa estar sempre no lugar certo, mesmo que cá dentro, nesse dia, seja Inverno...

[2011/01/31]
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