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Fábrica de Histórias
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E aqui... o original, brilhante! Com direito a explicação :))
Igqira lendlela nguqo ngqothwane
Sebeqabele gqi thapha bathi nguqo ngqothwane
Sebeqabele gqi thapha bathi nguqo ngqothwane
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A minha terra tem de facto uma magia que não se explica.
que se entranhou de tal forma por debaixo da nossa pele,
que talvez por termos bebido da água do Bengo
nos caracteriza e nos marca de uma forma tão especial
Magia que se traduz em sintonias tão profundas
em energias tão fortes e tão difusas
em pessoas que não conhecemos de nenhum lugar
mas que se nos revelam de uma forma tão particular.
Já me deu tantas alegrias, minha terra
e ainda não lhe pude retribuir
Espera-me Angola, não te canses de esperar
Prometo um dia vou-te abraçar
e contigo lágrimas salgadas chorar
por amores e amizades nascidos,
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Carlos Burity - Canção Nostalgia
Agora deixo aqui um pouco da minha veia de (quase) Antropóloga (risos)
Kissange (É um instrumento de som fluido, utilizado para fazer companhia em grandes caminhadas ou como fundo musical quando um mais velho conta histórias, à volta da fogueira, ao luar. Também é chamado de Mbwetete, quando é feito à base de bambu.)
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Gente buscando em vão uma esperança,
um sorriso, uma flor, uma palavra amiga
procurando agarrar hoje um tempo,
falar de amor, de carinho e de paz
contar as estrelas, saudar a vida
e ver os deuses iguais a mim
contar as estrelas, saudar a vida
Sou um jovem como tu
Quero a vida ver sorrir
Viajar, ter amigos, ver Luanda a florir
Ver o pôr-do-sol, ver nosso país,
Tão lindo, tão lindo, tão lindo, tão LINDO
Inspirando emoções...
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Ainda sobre o assunto do dia, mas de uma forma diferente!
Desta feita venho dar um exemplo que devia ser seguido por qualquer atendimento ao público, pelo menos nos serviços públicos.
O Consulado de Angola em Lisboa, é um exemplo. Um bom exemplo.
. As senhas são distribuídas por um funcionário, mediante os assuntos que se vão tratar, logo não existe o risco da pessoa tirar a senha errada, nem o desperdício de senhas com consequente impacto na estatística. Logo não há o "enganei-me na senha, não me pode atender na mesma?" do costume, ou: "então agora vai fazer-me tirar outra senha??" ...
. Não entra ninguém de boné na cabeça, ou vestido de qualquer maneira - há que haver respeito. O que à partida pode parecer um pouco de exagero, está bem visto - porque há-de haver uma norma de conduta de vestuário para os funcionários e não para os utentes dos serviços?? Nos nossos serviços públicos vemos de tudo, desde bonés a óculos escuros, calções de banho a chinelinho... qualquer dia temos de atender pessoas em tronco nú, já que o utente tem sempre razão!!
. A Sala de espera, venda de impressos, cópias e informações de carácter geral fica situada no piso inferior, onde se tiram as senhas, está a televisão e o ecrã de chamada.
. O atendimento é efectuado no primeiro andar, são chamadas duas ou três pessoas de cada vez, que só nessa altura sobem, para evitar a confusão no atendimento.
. As pessoas com prioridade no atendimento são procuradas pelos funcionários e encaminhadas pelos próprios ao local de atendimento, apenas para tratar de assuntos que lhes digam respeito.
Eu diria: Angola a dar o exemplo em termos de metodologia no atendimento. Sim, existem filas desde as 6H da manhã, espera-se bastante, mas quando precisamos de tratar de algo já sabemos que tem de ser assim! A parte de como funciona a nível burocrático fica para uma próxima oportunidade (risos)
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Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
Sophia de Mello Breyner Andresen
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Sentada no alpendre da minha vida, olhando a aurora do meu futuro...
Amanheço o meu sentir enquanto no Céu, tudo se transforma,
O crepúsculo vermelho do nascer do Sol na minha terra, eu imagino...
Posso imaginar apenas...
Mas sinto que ali, podia esperar por ti, se fosse assim,
Se eu soubesse que tardando, como o ocaso, acabarias por chegar,
E como o Sol me virias beijar, e como a dor... comigo ficar...
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Mais um passo,
Mais um esforço,
Mais um degrau escalado,
Mais uma batalha que se trava,
Mais um Destino traçado,
Mais um objectivo buscado,
Mais um Sonho concretizado,
No compasso da longa espera,
Mais um sorriso de Alegria,
O que me esperará... no alto da escadaria??
[2009/03/05]
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Escuta,
Escuta a melodia da água e da natureza.
Observa a pureza do ar, cheira o aroma da terra...
Ao crepúsculo, sós.
A brisa do entardecer sussurra-me carinhos teus,
a corrente trás até mim a tua presença... sinto-te.
Fecho os meus olhos, sinto os últimos raios de Sol na minha pele,
os pés na água que me refresca corpo e alma...
Fico aqui, eu e tu, mesmo sem estares,
Tudo na Natureza me lembra de ti.
Sinto novamente as tuas mãos nos meus cabelos,
e passarem à face numa carícia...
m'arrepias...
Schhhhh... escuta... sente...
[2009/03/02]
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Hoje apeteceu-me voltar a postar algo que escrevi há muitos anos atrás, lembro como se fosse hoje, para um concurso de "poesia" do Liceu. Acabou por ser escolhido para a exposição do Dia Internacional de Poesia e acabei eu própria por ter de o ler em frente de toda a turma... enfim, nem tudo é poesia :)
1991, estavamos em 1991...
"Como o vento e a terra tudo há-de acabar
o que o meu coração não aguentar, esqueceu ou deixou de amar.
Como tudo tem um FIM, a paixão morreu em mim
mas a imagem continua presente...
Agora e para sempre.
Aquela imagem de encantar
porque uma amizade nunca acaba
com a possibilidade de amar
sim... amar...
Mas de uma maneira diferente
já não quero mais chorar
mas levantar-me e seguir em frente
Enfrentar o amor, o amor e a saudade
porque amar não é só sofrer na minha idade
Amor, amar, o que será na realidade
será alegria, será dor
ou será apenas saudade
saudade...
saudade que ainda sinto
saudade que não vou esquecer
saudade que não evito e que levarei comigo até morrer...
Saudade e não só
alegria, respeito admiração
tudo o que sinto por alguém bem dentro do meu coração
Mas quando percebi, já tarde
que em toda a confusão
eu perdi... eu sofri...e algo morreu dentro de mim
Sem lágrima... sem dor... mas com AMOR
Eu descobri, que depois do que vivi
eu não consegui ser... EU
Mas nunca há-de voltar
aquele dia solitário e viril
Duma linda tarde de Abril
em que à nossa volta existia apenas uma espera
uma espera pelo dia teu... dia meu...
dia que o mundo esqueceu porque tudo acabou e nada mais existe...
sinceridade apenas
sinceridade que tarda mas não falha,
como o ingénuo primeiro espinho de uma rosa dentro de um coração pequeno
pequenino como o de um pássaro que não sabe voar porque ninguém lhe ensinou
e ninguém consegue ver o coração que não suspirou
coração que se tornou de pedra
coração que não quer viver
coração que sofre pelo amor que ACABOU..."
[2009/02/18]
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Se do alto de nós próprios
Local ermo e inatingível
Não conseguirmos ver
O que parece impossível
Então é melhor sairmos
De dentro de nós próprios
Para podermos sentir e observar
O que para outros é óbvio
E se depois em nós ficar
Uma estranha sensação
De que não fizemos tudo
Em prol do coração
Só nos resta esperar
Dar o que temos para dar
Que o tempo quanto ao resto
Tudo há-de solucionar...
[2009/01/15]
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Ah e tal... vou tentar passar despercebido...
Poisé... temos pena :p
Querido e BOM amigo "aprendiz"... Muitos anos de vida, muita saúde, muita coragem, perseverança e sempre, mas sempre muita AMIZADE !!
MUITOS PARABÉNS!!
As palavras me escapam, e não é de hoje, esta altura do ano não é a "melhor" para a inspiração, para a capacidade de expressar...
Bla bla bla, porque no que de facto é importante e interessa: ESTAMOS JUNTOS!! ... Nessa terra distante, que é também nossa e de todos quantos lhe querem bem... a nossa ANGOLA!
Tchim tchim...
[2008/12/30]
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Uma coisa que me põe triste
É que não existia o que não existe.
(Se é que não existe, e isto é que existe!)
Há tantas coisas bonitas que não há:
Coisas que não há, gente que não há,
bichos que já houve e já não há,
livros por ler, coisas por ver,
feitos desfeitos, outros feitos por fazer,
pessoas tão boas ainda por nascer
e outras que morreram há tanto tempo!
Tantas lembranças de que não me lembro,
sítios que não sei, invenções que não invento,
gente de vidro e de vento, países por achar,
paisagens, plantas, jardins de ar,
tudo o que eu nem posso imaginar
porque se o imaginasse já existia
embora num lugar onde só eu ia...
Manuel António Pina
... E depois há aquelas coisas que temos dificuldades de entender, ou de acreditar... mas que existem sim... mesmo que só em sítios que nós conhecemos, ou que só para nós são reais... a nossa realidade ;-))
[2008/10/06]
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Pálida à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!
Era a virgem do mar! na escuma fria
Pela maré das àguas embalada!
Era um anjo entre nuvens de alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!
Era mais bela! O seio palpitando...
Negros olhos as pálpebras abrindo...
Formas nuas no leito resvalando...
Não te rias de mim, meu anjo lindo,
Por ti, as noites eu velei chorando,
Por ti, nos sonhos morrerei sorrindo!
Mário Estevão Lafayas, Fevereiro 2006
[2008/09/22]
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Crónica para ser lida com acompanhamento de 'kissange'
Porque é que o lugar mais belo que se recorda é o mais belo? Onde está o segredo da sua conquista? Talvez na proximidade com a felicidade ou no dom que possui a sua evocacão para ajudar a atravessar os momentos difíceis. E pode estar no despertar e adormecer de um oceano de girassóis. No descobrimento da beleza, da satisfacão e da alegría no meio da miséria e do horror.
O mais belo que vi até hoje não foi um quadro, nem um monumento, nem uma cidade, nem uma mulher, nem a pastorzinha de porcelana da minha avó Eva quando era pequeno, nem o mar, nem o terceiro minuto da aurora de que falam os poetas: o mais belo que vi até hoje foram vinte mil hectares de girassol na Baixa do Cassanje, em Angola. Saíamos antes do amanhecer e com a chegada da luz, os girassóis levantavam a cabeça, ao mesmo tempo, para Oriente, e a terra enchia-se, por inteiro, de grandes pestanas amarelas nos dois lados do caminho e recordo, numa ocasião, um grupo de macacos numa ladeira, quietos, observando-nos. Depois, cansaram-se de nós e desapareceram sob a sombra dos arbustos.
O mais belo que vi até agora foi Angola e, apesar da miséria e do horror da guerra, continuo a querê-la com um amor que não se apaga. Amo o seu cheiro e amo as suas pessoas. Talvez os momentos que tive mais próximos daquilo a que se chama felicidade tenham acontecido quando assistia a partos e resolvía os problemas que as mulheres e o meu companheiro feiticeiro (euá Kimbanda!) não eram capazes de solucionar. Quando acabava, saía da enfermaría como se ainda tivesse nas minhas mãos uma pequena vida trémula e sentia-me feliz. As mangueiras, imensas, sussurravam sobre a minha cabeça, o senhor António espreitava da cantina. É engraçado: nos momentos difíceis, a memória da Baixa do Cassanje ajuda-me. Recordo o chefe Macau (euá Muata!), e digo a mim próprio:
- "Tumama tchituamoc", que significa, em síntese, senta-te e serena.
Se fosse à janela, decerto que avistaria, mesmo em Lisboa, vinte mil hectáres de girassóis, perdendo-se da vista, as pestanas amarelas, os macacos. A incrível beleza das raparigas, a sua pele tão suave, a tía Teresa, gorda, enorme, que dirigia uma casa de putas en Marimbá, e sabia muito mais sobre a nossa condição que qualquer outra pessoa que tenha conhecido.
Euá tía Teresa!
Euá os tambores"!, pela noite na povoação de Dala, a marijuana dos ritos funerarios (euá liamba!).
Conversava com a tía Teresa ao entardecer quando sentía saudades. Às vezes oferecia-me uma das suas criadas: nunca fui capaz de aceitar. Mandava trazer uma bacia com água, sabão, uma toalha, e ambos lavávamos solenemente a cara. Um día entregou-me um frasco com pó de talco, com o propósito de me proteger do mal. E talvez me tenha protegido. E comíamos juntos moamba, essa carne de galinha ou vaca guisada com azeite de palma: ela e o Kimbanda Kindele, ou seja o médico branco. Eu que tantas vezes, em África, tive vergonha de o ser. O meu corpo tão desengonçado. Aproximava o ouvido de uma árvore e não sabía, como a tía Teresa, quem estava a chegar. Mas o chefe Kaputo pediu-me que fosse padrinho do seu filho, a maior distinção que recebi até hoje: e, por educação, nada disse sobre a minha forma de dançar. Uma velha com a brasa do cigarro no interior da sua boca apertou os meus dedos com os seus
euá Velha!
Apertou os meus dedos outra vez: estou a escrever isto com uma grande alegría, a mesma com que aos domingos de manhã fumava cachimbo de mutopa com os homens, ouvia-os falar, jogava com eles a uma espécie de gamão com pedras e olhava a jangada a atravessar o río Kambo, já sob as sombras do crepúsculo, com as luzes de Chiquita à distância. Os girassóis inclinavam a cabeça para poder dormir, os insectos voavan contra os faróis do jipe, no caminho. A fazenda de tabaco do senhor Gaspar, com as suas caveiras de hipopótamo. O senhor Gaspar sorría no interior do bigode
euá senhor Gaspar!
Sentávamo-nos na varanda
-Tumama tchituamo
E o seu papagaio, entre gritos, fazia tilintar a candeia: dava medo a obscuridade. Ali vinha a criada com a água, o sabão, a toalha. No meio da miséria e do horror havía momentos de uma satisfação enorme. Uma paz como de santo que não voltei a encontrar. O que mais amo no mundo são os girassóis da Baixa do Cassanje e eu caminhando (voando) entre eles.
Euá Velha!
aperta os meus dedos outra vez.
António Lobo Antunes
Obrigada Gina, por um dia me ter enviado esta crónica!!
[2008/09/11]
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Angola, 2005/Rio Queve
Às vezes sinto-me Foz
outras vezes sinto-me Nascente,
em queda d'água ou afluente...
Hoje...
... sinto que no meu leito
uma cheia está emergente...
... cheia de saudade...
* Um comentário meu que virou post
[2008/09/06]
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Hoje é um grande dia!
Hoje é o dia em que o país que me viu nascer vai a votos depois de 16 anos e uma experiência traumática.
Hoje é o dia em que tudo vai correr muito bem. Hoje é um dia de legitimação de poderes.
Hoje é o dia em que não me vou alongar em análises do mal e do bem. Não vou falar do que é mais fácil falar, como vejo por aí tanta gente que não sabe nada, como eu própria, a opinar, e na maioria das vezes, a criticar destrutivamente.
Eu não sei de nada, eu só sei que a minha terra merece, o seu povo merece e todos os que a amam merecem que tudo corra bem, e que esta vaga de progresso, de reabilitação, de reconstrução, esta vaga de vida ... não pare jamais de crescer.
E que nós, instalados que estamos neste cantinho à beira-mar plantado, antes de tecermos qualquer juízo de valor, possamos olhar o nosso umbigo, e ... enchermo-nos de vergonha!
ANGOLA... EU ACREDITO!!
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