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Train - Drops of Jupiter

... 2010.

Para mim, decorria o ano de 2010, e com ele apareceste tu na minha vida. Percebi desde o primeiro momento que eras diferente. Não na aparência, porque aí, vestias a mesma roupagem que o comum dos homens, porém os teus olhos deixavam transparecer uma singularidade que me encantou. Uma conspiração galáctica uniu-nos naquele momento que ninguém previa e nascia ali um sentimento novo, que atravessava todas as constelações de estrelas até há data conhecidas.
Ensinaste-me tanto, falaste-me da forma como vias a humanidade, o desconcerto pelo rumo que havia tomado, a tristeza de não ter a fórmula secreta para que se desligasse o complicómetro e voltassemos às origens. Ensinaste-me muito, questionei-te e penso que também eu terei, não moldado a tua visão, mas pelo menos ter-te feito despertar para outros factores que também poderiam corromper a simplicidade com que se apresentava para ti a vida.
Para mim, tu eras de um lugar mais à frente, de um tempo mais evoluído. Procurei dentro de mim e por onde pude o método, a filosofia certa para te conseguir acompanhar, tentei corromper eu mesma o Universo que não podia ter conspirado para este nosso encontro em vão. Corri desalmadamente e cheguei a pensar ver todos os planetas alinhados à minha frente e lembrei-me logo de quando me falaste das previsões para o ano 2012. Eu sabia que tu estavas bem mais à frente mas não me quiseste alarmar e nada mais me falaste sobre o que de facto iria acontecer. Deste-me a tua mão e ficaste assim, olhando-me nos olhos com uma tranquilidade invulgar.
Durante muito tempo apresentaste-te como um prisioneiro da tua própria vida, mas um prisioneiro que sabia que mais cedo ou mais tarde se libertaria mas por circunstãncias alheias a si mesmo, isento da responsabilidade que lhe vergava o corpo. Acreditavas e eu acreditava também que todas as histórias têm o seu tempo, aquele que eu queria regular desesperadamente e que tu, pelo teu lado e munido de outros instrumentos que me eram desconhecidos, te limitavas a aguentar e a esperar.
Eu começava a acreditar que 2012 podia ser o ano de todas as revelações. Não sabia exactamente o que iria acontecer, mas a energia que recebia da tua presença tão efectiva em mim, os abalos que me provocavam as tuas palavras, as ditas ou as apenas sentidas, eram catalisadores de esperança.

Hoje sei que não me interessa qual é o teu tempo na realidade, se vives em júpiter ou em marte. O que sei é que sintonizamos a mesma frequência e somos os dois muito simples na arte do Amar. Não amar um ao outro, ou um e outro, mas Amar a vida, o próximo e a natureza. O que sei, é que correrei todos os planetas e até aqueles que já não constam, só para poder estar contigo.

Teletransporto-me agora... recebe-me só...

Escrito para Fábrica de Histórias

[2012/01/15]

4 Responses to "O ano de ..."

  1. T Says:

    Adorei a ultima frase... Como vez, muito bom.

    beijinhos

  2. Natacha Says:

    Olá T. :)

    Onde, onde?? Nada de especial, para não variar... :p Obrigada e um beijinho...

  3. Closet Says:

    Se vieres a Marte, encontras-me (sou a que tenho um braço a sair da barriga)!! Mas aqui não existe nenhum ser mais evoluído, te garanto! Somos todos verdadeiramente simples e iguais (e ainda bem!). Já Júpiter, ouvi dizer que é gelado e obscuro, nã nã nã, ficas onde estás!! Um beijinho galáctico, teletransportado do meu telemóvel :)

  4. Natacha Says:

    Ahh, Sónia... então é aí mesmo que eu tenho de chegar :) a Marte!
    Adorei o beijinhos teletransportado via i-tudo i-tudo i-tudo :D

    Beijossss

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