08:05

Revelação @olhares.com por JORGE PALHA


É muito importante a capacidade de nos revelarmos.
Para nos revelarmos, claro que é necessário expôrmo-nos. Não é esvaziarmo-nos de segredos, não é contar tudo de nós, porque nem de nós próprios nós sabemos tudo...
Não digo que o façamos à primeira pessoa que se nos cruzar, mas é muito importante ter quem aceite a nossa exposição, a nossa revelação, incondicionalmente.
Nem tudo é sempre bom, nem tudo é sempre mau. Há coisas registadas apenas no nosso "negativo", sem photoshop, que fazem de nós aquilo que somos de facto, pequenos pormenores muitas vezes... Deixar que alguém nos saiba, é tirar o Mundo das nossas costas, é ouvir outra opinião, quem sabe... a solução não passa por aí?
Guardarmos para nós tudo o que nos atemoriza, preocupa, entristece, não é bom. Torna-nos irritadiços, mal humorados e impacientes. Partilhar o que de menos bom nos acontece na vida não é "queixarmo-nos", é, tão somente, permitir que alguém que nos gosta possa sentir a felicidade de nos poder ser útil. Existirá sensação melhor na vida do que poder ajudar, nem que seja apenas com os ouvidos, alguém a quem queremos bem?

Isso também é a Amizade, o Amor.

"saber amar, é saber deixar alguém te amar"

Que bom que seria que aceitasses tudo aquilo que já deste. Mas, mesmo se pensas que não... alguns passos já foram dados nesse sentido, e estou-te grata, por ti!

Coragem, muita coragem!!

[2008/11/28]

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Como vai você
Eu preciso saber da sua vida
Peço alguém para me contar sobre o seu dia
Anoiteceu e eu preciso só saber...
Como vai você
Que já modificou a minha vida
Razão de minha paz já esquecida
Nem sei se gosto mais de mim ou de você
Vem...
Que a sede de te amar me faz melhor
Eu quero amanhecer ao seu redor
Preciso tanto me fazer felizVem...
Que o tempo pode afastar nós dois
Não deixe tanta vida pra depois
Eu só preciso saber como vai você
Como vai você
Que já modificou a minha vida
Razão de minha paz já esquecida
Nem sei se gosto mais de mim ou de você
Vem....
Que a sede de te amar me faz melhor
Eu quero amanhecer ao seu redor
Preciso tanto me fazer feliz
Vem...
Que o tempo pode afastar nós dois
Não deixe tanta vida pra depois
Eu só preciso saber como vai você

Daniela Mercury*

* Obrigada Eudemim, pela chamadita de atenção ;), não é Adriana Calcanhotto não!!

Vem

10:48

Lamparina @olhares.com por sandro campos


Tenho uma lamparina
que trouxe das arábias
para te amar à luz do azeite
num kamasutra de noites sábias

(...)

Vem, vem à minha casa
rebolar na cama e no jardim
acender a ignomínia
e a má língua do código pasquim


Rui Veloso in Bairro do Oriente

[2008/11/27]

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09:45

Genebra/2006 por António Bastos


A natureza gelada, parada, pode ter uma beleza aterradora.
O frio, o gelo, a neve, não raras vezes os associo a tristeza, a solidão...
Mas lá fora, quando espreito, e apesar do frio que se faz sentir, não há gelo.
Há um Sol maravilhoso e uma quietude tranquilizadora.

Mais um dia em que acordo determinada a manter a Esperança! Aqueço-me na energia emanada do Sol e do meu pensamento... e sinto-me tranquila e confiante.

E, por isso mesmo, e aproveitando mais um dos belissímos textos que a minha Amiga Gina me manda, aqui fica:

A Arte de ser Feliz

Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz. Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega. Ás vezes, um galo canta. Às vezes, um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz. Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

Cecília Meireles

[2008/11/26]

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11:19


O que te vejo no olhar
não é certo nem é errado,
é alma e coração de menino.
Não é razão,
Será pecado?
O que te vejo no olhar
é uma vida de emoção
cada gesto, cada palavra
te saiem do coração.
O teu olhar meio perdido
de quem busca Luz na penumbra
te crispa o semblante antes polido
me fita e me vê nua e crua.
O teu olhar penetrante
que incendeia o meu desejo
que me aquece a alma
que te faz meu, como eu almejo..

Assim é o teu olhar na nossa eternidade...

[2008/11/25]

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É muito tempo a desejar o tempo
De mudar ventos, levantar marés
É muita vida a desejar o alento
Que faz saber ao certo quem és

É funda a toca onde te escondes tanto
Tem a distância entre o silêncio e a voz
A vida rasga bocadinhos gastos do mundo
Vai descascando até chegar a nós

E tu que sabes tanto de mim
Tu que sentes quem eu sou
Dá-me o teu corpo como ponte que me salve
Do que o medo fechou

São muitos dias a perder em vão
Sem nunca entrar dentro de um labirinto
É muita vida a não ser o que tu sentes
A planar sobre o que eu sinto

É quase noite, não te escondas mais
Vai desatando até entrar o ar
Dá-me um gesto que me diga o teu fundo
Uma palavra para te tocar

Tu que sabes tanto de mim
Tu que sentes quem eu sou
Dá-me o teu corpo como ponte que me salve
Do que o medo fechou

Tu que sabes tanto do sol
És uma espécie de outra margem de mim
Olha-me dentro como chão que me agarre

Pode ser esta noite quente
A estrada aberta mesmo à nossa frente
E tu e eu a descobrir o ar
Não é preciso correr
Não é urgente chegar
O que é preciso é viver

[2008/11/24]