If I don't fall apart
Will my memory stay clear?
So you had to go
And I had to remain here
But the strangest thing to date
So far away and yet you feel so close
I'm not going to question it any other way
It must be an open door for you
To come back

[2012/09/21]

00:12


Pedro Abrunhosa - Não desistas de mim


Sempre me disseste sermos um no outro. Eu sou tu e tu és eu, haja o que houver...
Sempre me disseste que o meu sentir era o teu sentir.
E sempre me disseste que quando eu sentisse algo em relação a nós, que saberia então que tu estarias, onde quer que te encontrasses, a sentir precisamente o mesmo que eu...

Como dói tão profundamente pensar que te possas estar a sentir assim...

[2012/08/11]

00:47


Estranho amor - Caetano Veloso e Maria Gadú


Hoje mudo-me para o sofá...
A minha alma não aguenta já o toque daqueles lençóis na minha memória. Tudo lhe aviva a recordação de altos vôos, de alcançar todos os cumes, até os mais inacreditáveis de atingir (principalmente ao nível do sentir)
Não aguento o contacto com a minha pele, das reminiscências dos cheiros, do palpitar das canções, das bebidas e das gargalhadas vividas sem limites. Não falo de sexo, falo de entrega, de partilha, de cumplicidade.
Hoje descobri um limite dos meus, não sei se este era um daqueles que buscávamos, não o creio. 
Não tenho gritos, não tenho dedos que apontam acusatóriamente em nenhum sentido, tenho apenas lembranças tão boas e sentimentos tão grandes, que percebi agora este limite em mim tão castrador: o limite do entendimento, ou do não entendimento. Falamos de respeito e de confiança...
Não gosto de limites, mas hoje não suporto aquela cama, não suporto a dor compulsiva da realidade...
Já caí muitas vezes, e outras tantas vezes me levantei ... mas nunca tinha sido empurrada...

Estávamos tão alto...

Hoje mudo-me para o sofá ...



[2012/08/09]


11:26



... de pura genialidade. Parabéns Caetano!

[2012/08/07]

23:39


Seal - Stand by me

Faço colecção de noites. Não existe uma que seja igual à que a precedeu, são todas diferentes. Umas mais escuras, outras mais estreladas, umas são frias, outras há que são encaloradas, outras ainda são amenas. Com brisas, sem brisas, noites tristes ou com alegria, mas de uma coisa não tenho dúvidas, todas e cada uma delas são cheias de magia.
Guardo-as em frascos na minha memória, e visito-as invariavelmente nos dias mais difíceis. Tenho noites de todas as cores da paleta e de todas as emoções do meu coração, mas tenho um frasco que permanece vazio...

Amo a noite, é por ela adentro que deixo os meus dedos falarem as palavras que me nascem na alma, é pela noite adentro que faço amor sob as estrelas em cama de sonhos. O abraço da noite entra-me na epiderme e  a sua energia percorre-me as veias e aflora na pele em forma de arrepio. 

Há noites que ainda não vivi, mas que trago na minha memória como um futuro saudoso. Têm sido dias tão intensos, que tenho aproveitado para vivê-los em pleno, talvez descurando um pouco as minhas noites. Outras noites inventei-as, não gosto da rotina ou do convencional, e por isso invento noites para mim, noites que me vestem a pele à medida. 

As noites para serem perfeitas não têm de ser iguais, noite após noite, pelo contrário. As noites perfeitas são as diferentes, tal como disse no início. Existe no entanto um ingrediente indispensável para uma noite perfeita, não existe no entanto a palavra perfeita para explicar qual é esse ingrediente porque não é nada palpável, não é tangível, apenas se pode sentir. Chamar-lhe-ei: morna-aragem-que-me-enche-a-alma-e-me-faz-sentir-viva! E, atenção, não é necessário estar na rua para sentir esta aragem, eu sinto-a bem dentro das minhas quatro paredes.

Foi por uma dessas noites adentro que me chegaste, sem eu esperar. E logo aí, a noite se encheu de dourados e a aragem nasceu cá dentro de mim, permitindo que as borboletas levantassem num voo nocturno único e inimaginável, provocando dentro do mim o perfeito caos. Misto de excitação e receio recheados de uma alegria inexplicável. Desde essa especial noite, muitas outras se passaram, nem todas tão mágicas assim, houve espaço para o cinzento e para as noites chuvosas de lágrimas salgadas, fazem parte eu diria, para um crescimento e um melhor entendimento da teoria da noite.

Sabes que te amo, todas as noites, não sabes? Todas as noites, desde aquela especial noite eu te amo no meu jeito próprio de amar, e guardo o frasco vazio, na esperança, que por mais que eu queira não me abandona, de guardar uma noite que não seja só minha, mas nossa...

Fica comigo... 

Escrito para: Fábrica de Histórias

[2012/05/27]


Agarrado a ti, vou sem hesitar, e se o chão desabar, que nos leve aos dois...


[2012/05/25]

23:56


Pedro Abrunhosa - Pontes entre nós


Depois, nada se extingue com a partida. [é assim que cantam as chamas dentro do meu peito]
No depois acendem-se de novo as ausências, como se em permanência me quisessem castigar - sorrio-lhes! - Porque não é disso que se trata.
Depois, chegas de novo e deixas-me continuar a sonhar. Para sonhar, embalo-me na tua pele como se quisesse os teus sonhos a papel químico no meu corpo. Sonha comigo os mesmos sonhos para que depois, retornemos ao plano das emoções longínquas, de todas as estradas que nos separam e de todas as pontes que existem entre nós.
Depois, retiro-me no odor inebriante do teu corpo e perpetuo o teu abraço de alma. E os meus olhos sorriem o sorriso mais puro da sintonia. É sempre assim, depois.
E depois, queima-se-me o corpo, arde-me a pele da falta e dentro do coração todos os pássaros acordam e levantam voo, e as veias que me riscam o ser quase desatam a chorar. [é assim que o sangue me corre cá dentro]
Depois, fico eu. [a tua...]
Depois, ficas tu. [o meu...]

Para sempre, depois...

[2012/05/11]

A Torre de Babel (1563), Pieter Bruegel

Trapézio - Jorge Palma

Tristes daqueles que do alto da sua presunção julgam ter o mundo a seus pés. Vão subindo sem olhar a meios, cegos para os demais, intocáveis. Mas no fundo, na realidade, erguem castelos feitos de barro e que uma chuvada mais intensa depressa leva por terra. Pode até levar o seu tempo, mas nas construções da mais apurada engenharia, como no carácter de cada um e na forma de se relacionar com os outros, são os alicerces o ponto fundamental, a base de sustentação de um edifício, ou de uma relação. 
Humildade, palavra desconhecida de tantos e que leva tantos outros no caminho certo, embora talvez mais demorado, mais duro, mais exigente, mas tão mais compensador. Quem não conhece a humildade conhece bem o orgulho, a soberba. Querer ser bom, ou o melhor não é só por si um defeito, se houver humildade. 
Acredito por isso que tudo o que construí, e que aos olhos dos que constroem torres de Babel é nada, são os alicerces mais sólidos e não corrosíveis que a minha ingenuidade e, no entanto, perseverança, se orgulham de ter construído. Poderei não ter passado ainda dos alicerces, é verdade, mas não tenho pressa de chegar ao topo, não antes de ter aprendido a voar melhor...

Escrito para: Fábrica de Histórias

[2012/04/29]






Vamos, meu amor ?? :))

[2012/04/24]

23:33


Rosana - A fuego lento


Em abril da minha alma somos conquista e celebração.
Ressurgimos da névoa invernal, infernal, juntos. É a nossa revolução, positiva.
Crescemos, aprendemos e vivemos mais intensamente que nunca o que de nós brota de uma forma tão pura.
Como a flor de Lótus, enlevamo-nos espiritualmente e desabrochamos o nosso amor renovado nesta primavera. É mais um passo, mais um degrau que na escadaria dos afectos subimos.
Deixamos para trás a escuridão que nos ensombrou os dias, e vivemos o abril em nós. Momentos, eternos momentos de cumplicidade que renovam esperanças perdidas e reforçam os laços criados por algo maior.
Abril é cor, é vida, são todos os elementos da  natureza em convivência mais ou menos harmoniosa. Abril é sinónimo da purificação do corpo e da mente, da superação dos nossos medos, das nossas dúvidas, é um nascer ou renascer com uma beleza mais lúcida. Abril tem o som dos kissanges e as fogueiras acesas nas noites de luar num fogo lento delicioso, tem borboletas na barriga e em volta das flores, arco-íris, tesouros e andorinhas.
Abril tem amor no azul do céu, paixão no vermelho das chamas, e esperança no verde dos campos.
Abraça-me em abril da minha alma, e beija-me na melodia que nos embala, ama-me simplesmente porque …

… é abril…


[2012/04/22]


Mafalda Veiga - Era uma vez um pensamento teu


O instante de ouvir a voz de quem se ama pela primeira vez, só é comparável à teoria do caos, ao efeito borboleta. Pelo menos foi este o pensamento que me aflorou à mente assim que a ouvi do outro lado do telefone. Na verdade, milhares de borboletas coloridas invadiram a minha vida nesse momento, entraram na minha alma e dançaram danças de pura felicidade, aumentando exponencialmente o batimento do meu coração. Se isto acontece, então fica mais fácil perceber também o que à partida nos pode parecer absurdo: o bater das asas de uma borboleta num lado do mundo pode originar um tufão do outro lado.
E aquela voz foi poesia nos meus ouvidos, foram melodias que me embalaram num transe que me congelou o pensamento, permitindo-me apenas sentir... 
Claro que subjacente à voz estava também a lembrança, a atitude, e essa ficará para sempre tatuada na minha alma como o momento em que se desarmam barreiras invisíveis, em que se deixam cair as máscaras, mesmo que por detrás de um telefone. 
Sabes exactamente como me levar ao estado de sublimada, e ao teu jeito, o momento exacto para usares do teu poder de cativar, do teu charme, da tua verdade, para me fazeres sentir amada e desejada sem estares constantemente a repetir as mesmas coisas [como eu] - tento aprender contigo. 
Este tufão dentro do meu peito, originado por um simples telefonema teima em não passar, e eu sinto-me planando nele como plano em ti quando estás presente, e ainda agora... 

Sem agradecimentos porque assim mo pediste... mas com todo o amor do mundo...

[2012/04/16]


Azeitonas - Anda comigo ver os aviões


Aos poucos fui entrando no universo mágico da aventura. Aprendi a soltar-me das grilhetas sociais que nos castram as emoções, e aprendi, que no jogo do certo e do errado há sempre forma de dar a volta ao texto e de interpretá-lo a nosso gosto.
Aprendi até que são as pedras do caminho que fazem com que este seja intenso e motivo de orgulho de ser vivido a cada obstáculo transposto, ora por superação, ora por aceitação, crescimento, sabedoria.
Aos poucos fui-me libertando e ao mesmo tempo fui encontrando um Eu que vivia enclausurado dentro de mim, que ansiava por alguém que destravasse a loucura e desse sentido a este meu lado mais irreverente.
Contigo, a vida é uma aventura constante, cheia de adrenalina e emoções, sempre nos limites e nos extremos, naqueles lugares que nos acordam para a vida por nos deixarem à beira de abismos, cordas bamba, trapézios sem rede. Contigo existem sempre cem cavalos a galopar no peito e uma vontade incontrolável de levantar voo. 
A aventura começa em cada novo dia que me presenteias com a tua luz. Irradias uma luz que me cativa, que me faz querer usufruir de ti, da tua alma, do teu corpo, da tua essência mais pura. Sejam as nossas partilhas espirituais, as carnais e até as mais banais (contigo nunca nada é banal), em qualquer troca de energia, contigo tudo é tão mais elevado, mais intenso.
Poucos chegam onde nós chegamos, mas isso não nos torna melhores que ninguém... apenas diferentes.


Aventura, quero sempre uma nova aventura contigo... Aventuras-te?


[2012/04/07]

23:13



Train - Drops of Jupiter


Trocaste-me os hemisférios e já não sei do meu Norte. Cruzaste o meridiano dos meus sentidos ao ponto de deixares baralhados os meus pólos. Magnetizas-me de tal maneira que todos os meus movimentos são na tua direcção e no sentido do teu desejo que não é mais do que o meu desejo. Enlouqueces-me tanto a Sul quanto a Norte, de dia como de noite, porque me vendaste para que não conhecesse o tempo. E eu não quero o tempo que me limita, eu só quero o instante perpétuo de ser tua bússola, de te guiar por caminhos em que te queres perder, para te encontrar nos triângulos misteriosos que nos apagam dos radares.
Quedo-me entregue ao teu íman, pedindo-te apenas que traces todos os teus percursos no meu corpo, na minha pele branca, como quem em desespero marca os dias para não enlouquecer, para manter a sanidade que só se releva na entrega das nossas almas sem gravidade...
Tu, que mexes com o centro da minha gravidade e o deixas completamente desorientado, que me tomas o pulso com ímpeto e voluptuosidade, me castigas o corpo e me acaricias a alma. Tu que me entregas os teus segredos para eu cuidar e o teu corpo para eu amar. Tu, que me deste a tua alma para viver junto da minha, e me mimas com tanta intensidade, em todas as diferenças e mais nas igualdades...

Tu...  quero morrer no teu abraço... eu amo-te, simplesmente...

[2012/04/03]

Moulin de la Galette (1889), Toulouse-Lautrec

Chico Buarque - Valsinha

Em dias que nascem sob o véu de baile, Amélia fica particularmente nervosa. Espreita pela janela com aquela curiosidade jovial de quem quer ver as damas cruzarem a praça em frenesim, umas dirigindo-se à modista e outras vindas do salão de cabeleireiro de onde saiam com algumas obras de arte na cabeça. Também ela sonhava, de algum tempo a esta parte, com o dia em que todos parariam para olhar para ela, impecavelmente vestida e discretamente penteada, mas bonita, sobretudo, muito bonita, entrando no salão de baile onde, porventura, encontraria a sua cara-metade. 
Tinha 15 anos, e Amélia era já uma jovem vistosa, mas simples. Simplesmente vistosa, naturalmente bonita. Os pais tinham-lhe prometido que a levariam assim que ela fizesse os 16 anos, numa espécie de debute, apesar de toda a gente da vila a conhecer.
Faltavam apenas duas semanas para que completasse os 16 anos e se cumprisse um sonho, hoje ainda não era o dia. Nesse sonho existia também Bruno. No entanto Amélia teria de aprender a separar os sonhos, já que não existia a mínima possibilidade de Bruno poder estar presente no salão de baile... a não ser como engraxador, talvez... 
Amélia vivia este sonho, o seu primeiro amor, completamente sozinha. Não tinha sido capaz de o confessar sequer à sua melhor amiga. Parecia-lhe algo tão íntimo, tão seu e ... tão passível de ser motivo de crítica e desdém, que não sabe se por vergonha se por pudor, não falava sobre o assunto com ninguém. Porém no seu íntimo havia uma pessoa que ela acreditava ter já percebido o seu sentimento - o próprio Bruno. Este, quando passava por ela na rua, lançava-lhe um sorriso que era de cordialidade mas que transmitia algo mais, acompanhado de um olhar especial, e ela corava sempre enquanto a mãe a puxava disfarçadamente como que dizendo que ela tinha de apressar o passo. 
Amélia pensava em tudo isto enquanto olhava do alto da sua janela sobre a praça...

Duas semanas passaram rapidamente. Agora o frenesim era pelo seu aniversário, pelo debute e pelo baile, tudo junto num só acontecimento. Sentia-se muito importante e com uma responsabilidade acrescida naquele dia. Não podia desiludir os pais, na verdade já o tinha feito ao sugerir que Bruno, o filho do sapateiro da vila, fosse convidado, mas ela não podia deixar de tentar, apesar de estar ciente de que os pais jamais permitiriam. Apesar de obediente e educada, Amélia estava também na idade de todas as descobertas, e até da descoberta das pequenas mentiras que não trariam prejuízo a ninguém e apenas serviriam para contornar aquela austeridade dos pais. Ela simplesmente precisava de Bruno na sua festa de aniversário, e ia conseguir.
Pediu a um garoto insuspeito que lhe entregasse um bilhete e que em troca do seu silêncio lhe oferecia um sorvete, daqueles deliciosos do sorveteiro da praça. Ele assim o fez, com um sorriso maroto no olhar.
À noite, Amélia estava particularmente excitada com tudo o que se iria passar e curiosa por ver como estaria o salão, como estariam todos os convidados. Ela levaria um vestido branco, como era típico nas debutantes, mas com um corte muito elegante e distinto. Entrou no salão pelo braço do pai e tal como ela tinha sonhado, a sala inteira parou para vê-la entrar. A festa decorreu sem percalços, a primeira dança com o pai que babava de orgulho e depois com alguns dos jovens promissores da vila, mas que nem um pouco faziam palpitar o coração de Amélia. Essa pessoa especial, se tudo corresse como ela esperava, estaria na ante sala, e era para lá que ele se dirigia quase às escondidas. E assim foi. Abriu a porta e do outro lado estava um Bruno envergonhado mas impecavelmente vestido, não ficava a dever nada aos emproadinhos do outro lado do salão de baile.
Estendeu-lhe a mão, ela aproximou-se e começou a dança... ao lado do salão de baile...

Escrito para a Fábrica de Histórias

[2012/04/01]

23:59


Caetano Veloso e Maia Gadu - Nosso estranho amor



Urgente é o pulsar do teu corpo na minha pele.
Urgente é lançares o meu corpo na cama e arrancares dele o que o separa do teu.
É nesta urgência que sempre te espero enlouquecida de desejo,
é nesta urgência que o beijo se desenha nas bocas e o desejo se reflecte no corpo.
É com urgência que te empurro e arranco a roupa e me misturo em ti, enquanto tu, urgentemente tentas despir as roupas que estão a mais.
Urgente é amar sem tabus e pudores, com palavras obscenas e declarações de amor,  vinca-me o corpo, marca-me a alma, como só tu sabes.
Sinto palavras loucas saírem-me da boca com a urgência de te enlouquecerem,
e sinto no teu toque a urgência de me arrebatares os sentidos.
Já não são só os corpos, já não é só a carne que luta pela conquista da presa, nesta luta quente e excitante.
São as almas que se exultam como num altruísmo de dor e prazer,
e são todos os lugares seguros do mundo reduzirem-se a apenas um,
...o teu corpo.
Urgente é o arrepio que nasce desta comunhão,
é prolongar os suspiros em loucos gemidos de prazer.
A urgência, é apenas a de ser feliz e livre em ti.


[2012/03/31]



[2012/02/19]

Pedra da Anicha


Mafalda Veiga - Ouve-se o mar

Tinham-se encontrado há minutos atrás naquele sítio maravilhoso, rodeado do que mais belo a natureza nos pode oferecer. Ele tinha-lhe prometido que a levaria a conhecer sítios lindos, e este era um desses locais... a promessa cumprida!
Ela mal conseguiu conter as lágrimas ao sentir-se tão maravilhada e aborvida por tudo o que lhe estava a acontecer, por tudo o que a rodeava...
O local, a companhia... a natureza, o mar ao fundo, o céu, as estrelas por testemunhas...
 Era assim que se encontravam no momento, extasiados, envolvidos no perfume um do outro e ao mesmo tempo em completa sintonia com o ambiente que os rodeava, quase sem conseguirem proferir palavra... sentiam, sentiam, sentiam... tudo se lhes entranhava na pele e na alma, desde o marulhar das ondas lá longe, à ligeira brisa que lhes tocava os corpos e trazia o aroma silvestre do local misturado com um toque de sal e a humidade própria do clima...
 Sentaram-se abraçados, as costas dela no peito dele, o respirar dele junto ao ouvido dela... podiam ouvir-se os batimentos do coração... podia sentir-se o tremer da emoção... a ansiedade daqueles lábios, o desejo daquelas mãos e a entrega daqueles corpos àquela natureza e um ao outro, foi o que mais perto se conheceu em termos de perfeição, de sintonia... como se tudo fosse parte da mesma matéria, da mesma essência, um era o prolongamento do outro e não se conheciam os limites, não havia barreiras, reservas...era assim, só porque sim...
 Naquela noite, as estrelas testemunharam os olhares lânguidos de amor dos dois, sem promessas, apenas aceitação, enquanto se misturavam numa alquimia perfeita de união, e nesse momento o Universo se curvou perante tamanha manifestação de Felicidade, pura, genuína... uma entrega de amor sem exigir mais nada em troca... apenas que no céu as estrelas continuem a brilhar, que lá longe o mar não deixe nunca de se espraiar na areia, que a brisa possa sempre soprar porque...

... Também, para sempre, quem amar assim, vai amar...



Este dia aconteceu meses após o afastamento. Mas a afinidade é isso mesmo, é estar para além das palavras, é recomeçar o que se deixou para trás como se nunca se tivesse partido. É não perguntar, porque basta um olhar, é não cobrar, porque o importante é sentir. 
Sabiam que este encontro era apenas mais um. Mas a cada um, uma vida inteira se vivia, e num sorriso se resumiam uma imensidão de sentimentos. 
Eles sabiam que o seu amor era impossível, mas não menos verdadeiro por isso. Deram-se as mãos naquele entardecer, em que harmoniosamente amaram a vida, se amaram e se eternizaram naquele local. Era o seu local, especial por todos os motivos e onde voltariam, vezes sem conta, juntos ou separados ao longo de uma vida que se mostrava demasiado longa para ser suportável... 

Parte do texto escrito em 2008/02/23 e agora reeditado e adaptado para Fábrica de Histórias

[2012/02/17]

23:33


Adriana Calcanhoto - 8 anos


Um momento especial
Dois passos pequeninos
Três deliciosas gargalhadas
Quatro noites sem dormir
Cinco golos na baliza
Seis histórias de embalar
Sete abraços ao deitar

Oito anos de amor incondicional

Parabéns meu pequeno GRANDE Amor...

[2012/02/15]