12:23





Convido quem por aqui passar a vir tomar um chá.
Chá de autor, um por dia...

http://cha-das-cinco.blogs.sapo.pt/

[2013/02/20]




If I don't fall apart
Will my memory stay clear?
So you had to go
And I had to remain here
But the strangest thing to date
So far away and yet you feel so close
I'm not going to question it any other way
It must be an open door for you
To come back

[2012/09/21]

00:12


Pedro Abrunhosa - Não desistas de mim


Sempre me disseste sermos um no outro. Eu sou tu e tu és eu, haja o que houver...
Sempre me disseste que o meu sentir era o teu sentir.
E sempre me disseste que quando eu sentisse algo em relação a nós, que saberia então que tu estarias, onde quer que te encontrasses, a sentir precisamente o mesmo que eu...

Como dói tão profundamente pensar que te possas estar a sentir assim...

[2012/08/11]

11:26



... de pura genialidade. Parabéns Caetano!

[2012/08/07]

23:39


Seal - Stand by me

Faço colecção de noites. Não existe uma que seja igual à que a precedeu, são todas diferentes. Umas mais escuras, outras mais estreladas, umas são frias, outras há que são encaloradas, outras ainda são amenas. Com brisas, sem brisas, noites tristes ou com alegria, mas de uma coisa não tenho dúvidas, todas e cada uma delas são cheias de magia.
Guardo-as em frascos na minha memória, e visito-as invariavelmente nos dias mais difíceis. Tenho noites de todas as cores da paleta e de todas as emoções do meu coração, mas tenho um frasco que permanece vazio...

Amo a noite, é por ela adentro que deixo os meus dedos falarem as palavras que me nascem na alma, é pela noite adentro que faço amor sob as estrelas em cama de sonhos. O abraço da noite entra-me na epiderme e  a sua energia percorre-me as veias e aflora na pele em forma de arrepio. 

Há noites que ainda não vivi, mas que trago na minha memória como um futuro saudoso. Têm sido dias tão intensos, que tenho aproveitado para vivê-los em pleno, talvez descurando um pouco as minhas noites. Outras noites inventei-as, não gosto da rotina ou do convencional, e por isso invento noites para mim, noites que me vestem a pele à medida. 

As noites para serem perfeitas não têm de ser iguais, noite após noite, pelo contrário. As noites perfeitas são as diferentes, tal como disse no início. Existe no entanto um ingrediente indispensável para uma noite perfeita, não existe no entanto a palavra perfeita para explicar qual é esse ingrediente porque não é nada palpável, não é tangível, apenas se pode sentir. Chamar-lhe-ei: morna-aragem-que-me-enche-a-alma-e-me-faz-sentir-viva! E, atenção, não é necessário estar na rua para sentir esta aragem, eu sinto-a bem dentro das minhas quatro paredes.

Foi por uma dessas noites adentro que me chegaste, sem eu esperar. E logo aí, a noite se encheu de dourados e a aragem nasceu cá dentro de mim, permitindo que as borboletas levantassem num voo nocturno único e inimaginável, provocando dentro do mim o perfeito caos. Misto de excitação e receio recheados de uma alegria inexplicável. Desde essa especial noite, muitas outras se passaram, nem todas tão mágicas assim, houve espaço para o cinzento e para as noites chuvosas de lágrimas salgadas, fazem parte eu diria, para um crescimento e um melhor entendimento da teoria da noite.

Sabes que te amo, todas as noites, não sabes? Todas as noites, desde aquela especial noite eu te amo no meu jeito próprio de amar, e guardo o frasco vazio, na esperança, que por mais que eu queira não me abandona, de guardar uma noite que não seja só minha, mas nossa...

Fica comigo... 

Escrito para: Fábrica de Histórias

[2012/05/27]


Agarrado a ti, vou sem hesitar, e se o chão desabar, que nos leve aos dois...


[2012/05/25]

23:56


Pedro Abrunhosa - Pontes entre nós


Depois, nada se extingue com a partida. [é assim que cantam as chamas dentro do meu peito]
No depois acendem-se de novo as ausências, como se em permanência me quisessem castigar - sorrio-lhes! - Porque não é disso que se trata.
Depois, chegas de novo e deixas-me continuar a sonhar. Para sonhar, embalo-me na tua pele como se quisesse os teus sonhos a papel químico no meu corpo. Sonha comigo os mesmos sonhos para que depois, retornemos ao plano das emoções longínquas, de todas as estradas que nos separam e de todas as pontes que existem entre nós.
Depois, retiro-me no odor inebriante do teu corpo e perpetuo o teu abraço de alma. E os meus olhos sorriem o sorriso mais puro da sintonia. É sempre assim, depois.
E depois, queima-se-me o corpo, arde-me a pele da falta e dentro do coração todos os pássaros acordam e levantam voo, e as veias que me riscam o ser quase desatam a chorar. [é assim que o sangue me corre cá dentro]
Depois, fico eu. [a tua...]
Depois, ficas tu. [o meu...]

Para sempre, depois...

[2012/05/11]






Vamos, meu amor ?? :))

[2012/04/24]


Mafalda Veiga - Era uma vez um pensamento teu


O instante de ouvir a voz de quem se ama pela primeira vez, só é comparável à teoria do caos, ao efeito borboleta. Pelo menos foi este o pensamento que me aflorou à mente assim que a ouvi do outro lado do telefone. Na verdade, milhares de borboletas coloridas invadiram a minha vida nesse momento, entraram na minha alma e dançaram danças de pura felicidade, aumentando exponencialmente o batimento do meu coração. Se isto acontece, então fica mais fácil perceber também o que à partida nos pode parecer absurdo: o bater das asas de uma borboleta num lado do mundo pode originar um tufão do outro lado.
E aquela voz foi poesia nos meus ouvidos, foram melodias que me embalaram num transe que me congelou o pensamento, permitindo-me apenas sentir... 
Claro que subjacente à voz estava também a lembrança, a atitude, e essa ficará para sempre tatuada na minha alma como o momento em que se desarmam barreiras invisíveis, em que se deixam cair as máscaras, mesmo que por detrás de um telefone. 
Sabes exactamente como me levar ao estado de sublimada, e ao teu jeito, o momento exacto para usares do teu poder de cativar, do teu charme, da tua verdade, para me fazeres sentir amada e desejada sem estares constantemente a repetir as mesmas coisas [como eu] - tento aprender contigo. 
Este tufão dentro do meu peito, originado por um simples telefonema teima em não passar, e eu sinto-me planando nele como plano em ti quando estás presente, e ainda agora... 

Sem agradecimentos porque assim mo pediste... mas com todo o amor do mundo...

[2012/04/16]


Azeitonas - Anda comigo ver os aviões


Aos poucos fui entrando no universo mágico da aventura. Aprendi a soltar-me das grilhetas sociais que nos castram as emoções, e aprendi, que no jogo do certo e do errado há sempre forma de dar a volta ao texto e de interpretá-lo a nosso gosto.
Aprendi até que são as pedras do caminho que fazem com que este seja intenso e motivo de orgulho de ser vivido a cada obstáculo transposto, ora por superação, ora por aceitação, crescimento, sabedoria.
Aos poucos fui-me libertando e ao mesmo tempo fui encontrando um Eu que vivia enclausurado dentro de mim, que ansiava por alguém que destravasse a loucura e desse sentido a este meu lado mais irreverente.
Contigo, a vida é uma aventura constante, cheia de adrenalina e emoções, sempre nos limites e nos extremos, naqueles lugares que nos acordam para a vida por nos deixarem à beira de abismos, cordas bamba, trapézios sem rede. Contigo existem sempre cem cavalos a galopar no peito e uma vontade incontrolável de levantar voo. 
A aventura começa em cada novo dia que me presenteias com a tua luz. Irradias uma luz que me cativa, que me faz querer usufruir de ti, da tua alma, do teu corpo, da tua essência mais pura. Sejam as nossas partilhas espirituais, as carnais e até as mais banais (contigo nunca nada é banal), em qualquer troca de energia, contigo tudo é tão mais elevado, mais intenso.
Poucos chegam onde nós chegamos, mas isso não nos torna melhores que ninguém... apenas diferentes.


Aventura, quero sempre uma nova aventura contigo... Aventuras-te?


[2012/04/07]

23:13



Train - Drops of Jupiter


Trocaste-me os hemisférios e já não sei do meu Norte. Cruzaste o meridiano dos meus sentidos ao ponto de deixares baralhados os meus pólos. Magnetizas-me de tal maneira que todos os meus movimentos são na tua direcção e no sentido do teu desejo que não é mais do que o meu desejo. Enlouqueces-me tanto a Sul quanto a Norte, de dia como de noite, porque me vendaste para que não conhecesse o tempo. E eu não quero o tempo que me limita, eu só quero o instante perpétuo de ser tua bússola, de te guiar por caminhos em que te queres perder, para te encontrar nos triângulos misteriosos que nos apagam dos radares.
Quedo-me entregue ao teu íman, pedindo-te apenas que traces todos os teus percursos no meu corpo, na minha pele branca, como quem em desespero marca os dias para não enlouquecer, para manter a sanidade que só se releva na entrega das nossas almas sem gravidade...
Tu, que mexes com o centro da minha gravidade e o deixas completamente desorientado, que me tomas o pulso com ímpeto e voluptuosidade, me castigas o corpo e me acaricias a alma. Tu que me entregas os teus segredos para eu cuidar e o teu corpo para eu amar. Tu, que me deste a tua alma para viver junto da minha, e me mimas com tanta intensidade, em todas as diferenças e mais nas igualdades...

Tu...  quero morrer no teu abraço... eu amo-te, simplesmente...

[2012/04/03]

23:59


Caetano Veloso e Maia Gadu - Nosso estranho amor



Urgente é o pulsar do teu corpo na minha pele.
Urgente é lançares o meu corpo na cama e arrancares dele o que o separa do teu.
É nesta urgência que sempre te espero enlouquecida de desejo,
é nesta urgência que o beijo se desenha nas bocas e o desejo se reflecte no corpo.
É com urgência que te empurro e arranco a roupa e me misturo em ti, enquanto tu, urgentemente tentas despir as roupas que estão a mais.
Urgente é amar sem tabus e pudores, com palavras obscenas e declarações de amor,  vinca-me o corpo, marca-me a alma, como só tu sabes.
Sinto palavras loucas saírem-me da boca com a urgência de te enlouquecerem,
e sinto no teu toque a urgência de me arrebatares os sentidos.
Já não são só os corpos, já não é só a carne que luta pela conquista da presa, nesta luta quente e excitante.
São as almas que se exultam como num altruísmo de dor e prazer,
e são todos os lugares seguros do mundo reduzirem-se a apenas um,
...o teu corpo.
Urgente é o arrepio que nasce desta comunhão,
é prolongar os suspiros em loucos gemidos de prazer.
A urgência, é apenas a de ser feliz e livre em ti.


[2012/03/31]

Pedra da Anicha


Mafalda Veiga - Ouve-se o mar

Tinham-se encontrado há minutos atrás naquele sítio maravilhoso, rodeado do que mais belo a natureza nos pode oferecer. Ele tinha-lhe prometido que a levaria a conhecer sítios lindos, e este era um desses locais... a promessa cumprida!
Ela mal conseguiu conter as lágrimas ao sentir-se tão maravilhada e aborvida por tudo o que lhe estava a acontecer, por tudo o que a rodeava...
O local, a companhia... a natureza, o mar ao fundo, o céu, as estrelas por testemunhas...
 Era assim que se encontravam no momento, extasiados, envolvidos no perfume um do outro e ao mesmo tempo em completa sintonia com o ambiente que os rodeava, quase sem conseguirem proferir palavra... sentiam, sentiam, sentiam... tudo se lhes entranhava na pele e na alma, desde o marulhar das ondas lá longe, à ligeira brisa que lhes tocava os corpos e trazia o aroma silvestre do local misturado com um toque de sal e a humidade própria do clima...
 Sentaram-se abraçados, as costas dela no peito dele, o respirar dele junto ao ouvido dela... podiam ouvir-se os batimentos do coração... podia sentir-se o tremer da emoção... a ansiedade daqueles lábios, o desejo daquelas mãos e a entrega daqueles corpos àquela natureza e um ao outro, foi o que mais perto se conheceu em termos de perfeição, de sintonia... como se tudo fosse parte da mesma matéria, da mesma essência, um era o prolongamento do outro e não se conheciam os limites, não havia barreiras, reservas...era assim, só porque sim...
 Naquela noite, as estrelas testemunharam os olhares lânguidos de amor dos dois, sem promessas, apenas aceitação, enquanto se misturavam numa alquimia perfeita de união, e nesse momento o Universo se curvou perante tamanha manifestação de Felicidade, pura, genuína... uma entrega de amor sem exigir mais nada em troca... apenas que no céu as estrelas continuem a brilhar, que lá longe o mar não deixe nunca de se espraiar na areia, que a brisa possa sempre soprar porque...

... Também, para sempre, quem amar assim, vai amar...



Este dia aconteceu meses após o afastamento. Mas a afinidade é isso mesmo, é estar para além das palavras, é recomeçar o que se deixou para trás como se nunca se tivesse partido. É não perguntar, porque basta um olhar, é não cobrar, porque o importante é sentir. 
Sabiam que este encontro era apenas mais um. Mas a cada um, uma vida inteira se vivia, e num sorriso se resumiam uma imensidão de sentimentos. 
Eles sabiam que o seu amor era impossível, mas não menos verdadeiro por isso. Deram-se as mãos naquele entardecer, em que harmoniosamente amaram a vida, se amaram e se eternizaram naquele local. Era o seu local, especial por todos os motivos e onde voltariam, vezes sem conta, juntos ou separados ao longo de uma vida que se mostrava demasiado longa para ser suportável... 

Parte do texto escrito em 2008/02/23 e agora reeditado e adaptado para Fábrica de Histórias

[2012/02/17]

23:45


The way I am . Ingrid Michaelson

Dá-me a tua mão.

Estes caminhos por onde caminhamos juntos podem ser íngremes, escarpados e até aparentemente inacessíveis, mas tu sabes que de mãos dadas com o Amor, todo e qualquer caminho se torna caminhável, todo e qualquer lugar se torna tangível.
Não falemos sobre a cadência dos suspiros nos tons mesclados do mar.
Não falemos dos arco-íris que nascem nas encostas da Serra deslizando até ao mar.
Os pássaros livres que dotam a paisagem de belos trinados, doces melodias, acalentam a alma dos apaixonados e ao longe, o marulhar inebria todos os meus sentidos. Fecho os olhos, sinto-te em mim.

Dá-me a tua mão.

Não são fáceis os caminhos da vida, mas são infinitamente compensadores todos os passos do Amor. Por vezes correm apressados, não evitando uns tropeções, e noutras calmos, caminham paulatinamente no compasso do bater do coração. São ansiosos, são pacientes, são essencialmente crentes, de que no caminho por onde andam, as emoções mais verdadeiras não se abandonam, e os sentimentos mais puros perduram.

Dá-me a tua mão.

Eu guio-te, como aquele farol num dia de tempestade. Não sei se para um lugar mais seguro, mas garantidamente para um lugar mais intenso, porque quando há amor, não há redes, apenas uma corda bamba onde nos equilibramos e onde tudo é à flor da pele. E depois, quando estiveres no meu colo, e quando os teus olhos que suplicam amor se perderem nos meus, eu vou perceber, e tu vais perceber, de novo, o que é sermos um do outro, um no outro... para sempre...

Tua
[2012/02/14]

22:57


Coldplay - Hunting High and Low

Este é o centro do meu Universo.

Enquanto grande parte das pessoas se centra em si própria, eu levo a centrar-me aqui. É num lugar como este que se aprende a relativizar, que se aprende a Amar pelo avesso, que se aprende a aceitar a individualidade do outro. O mar dá-nos tudo, o Sol aquece-nos a alma, e a areia é a prova de que quando nos unimos nos tornamos mais fortes. 

Sou uma eterna aprendiz, menina sedenta de saber e de se enriquecer com o que verdadeiramente é importante, serei assim até ser bem velhinha e se lá chegar. De que me alimento? Alimento-me das essências que emanam livres das almas que se me cruzam e sei perfeitamente filtrar as armadilhas ardilosas que se me atravessam. Encaro-as de sorriso genuíno, com a tranquilidade de quem é livre e tem pena por essas almas perdidas e espíritos tão pequenos. 

Houve um tempo em que eu achei que amar era prender alguém com amarras invisíveis e hoje sei, que amar é muito mais que isso. Amar é ser feliz com a felicidade de quem se ama. Amar é ouvir palavras difíceis de ouvir e sorrir agradecida pela verdade. Há quem nunca chegue a conhecer o Amor, o verdadeiro, e debita sobre ele com a veleidade de quem é conhecedor, são os pobres ignorantes.

Não gosto do que é superficial, mas admiro o que é simples, as duas coisas são completamente diferentes, eu diria até que a antítese uma da outra. É na simplicidade que reside a maior beleza, é na entrega que existe a maior verdade. Mas, ou se é, ou não se é, e quem não é nunca virá a ser.

Hoje sinto toda a energia que me transmite a "minha" Arrábida e estou em paz porque a verdade sempre me trouxe uma enorme Paz.

Obrigada, meu Amor... por seres quem és para mim...

[201/02/03]


23:20


Bill Withers - Lean on me

Não escuto palavras que façam esquecer todas as minhas dores, mas aprendi a retirar dos silêncios toda a força que me permite seguir sempre em frente. Não há tempo para lamentos, para cabeças enterradas na areia. O sereno da paisagem que procuro, como se a meu lado tu estivesses, dá-me todas as respostas para as perguntas que não te faço.
Não desisto de ti: Jamais!
Não desisto de ti enquanto não me encarares para me dizer que não me queres mais por perto, neste perto cuja definição só nós conhecemos. Não desisto de ti enquanto pessoa importante e especial que és para mim, não por seres o amor da minha vida, mas por seres TU.
De mim, terás sempre o retorno até daquilo que não dás. Quando se dá, quando se ama, não se pensa em receber de volta, embora exista esse desejo sempre presente.
Quando perco a minha alma nesta paisagem que me apazigua, tudo se faz Luz, tudo se revela como se fosses tu a olhar-me nos olhos, sinto percorrer-me o corpo uma energia imensa que me revitaliza, que me dá um novo alento.
Quero dizer-te o quanto te admiro, e desenho uma estrela na areia, quero dizer-te o quanto te quero bem, e desenho na areia um coração. A maré está baixa, não haverá onda que arranque este sentimento de dentro de mim. Não haverá silêncio que te afastará, nem haverá nada que um dia me faça não te querer bem.
Não desisto de ti, porque é nestas alturas que mais precisas de mim, e eu estarei sempre aqui...

[2012/01/17]

00:37



Train - Drops of Jupiter

... 2010.

Para mim, decorria o ano de 2010, e com ele apareceste tu na minha vida. Percebi desde o primeiro momento que eras diferente. Não na aparência, porque aí, vestias a mesma roupagem que o comum dos homens, porém os teus olhos deixavam transparecer uma singularidade que me encantou. Uma conspiração galáctica uniu-nos naquele momento que ninguém previa e nascia ali um sentimento novo, que atravessava todas as constelações de estrelas até há data conhecidas.
Ensinaste-me tanto, falaste-me da forma como vias a humanidade, o desconcerto pelo rumo que havia tomado, a tristeza de não ter a fórmula secreta para que se desligasse o complicómetro e voltassemos às origens. Ensinaste-me muito, questionei-te e penso que também eu terei, não moldado a tua visão, mas pelo menos ter-te feito despertar para outros factores que também poderiam corromper a simplicidade com que se apresentava para ti a vida.
Para mim, tu eras de um lugar mais à frente, de um tempo mais evoluído. Procurei dentro de mim e por onde pude o método, a filosofia certa para te conseguir acompanhar, tentei corromper eu mesma o Universo que não podia ter conspirado para este nosso encontro em vão. Corri desalmadamente e cheguei a pensar ver todos os planetas alinhados à minha frente e lembrei-me logo de quando me falaste das previsões para o ano 2012. Eu sabia que tu estavas bem mais à frente mas não me quiseste alarmar e nada mais me falaste sobre o que de facto iria acontecer. Deste-me a tua mão e ficaste assim, olhando-me nos olhos com uma tranquilidade invulgar.
Durante muito tempo apresentaste-te como um prisioneiro da tua própria vida, mas um prisioneiro que sabia que mais cedo ou mais tarde se libertaria mas por circunstãncias alheias a si mesmo, isento da responsabilidade que lhe vergava o corpo. Acreditavas e eu acreditava também que todas as histórias têm o seu tempo, aquele que eu queria regular desesperadamente e que tu, pelo teu lado e munido de outros instrumentos que me eram desconhecidos, te limitavas a aguentar e a esperar.
Eu começava a acreditar que 2012 podia ser o ano de todas as revelações. Não sabia exactamente o que iria acontecer, mas a energia que recebia da tua presença tão efectiva em mim, os abalos que me provocavam as tuas palavras, as ditas ou as apenas sentidas, eram catalisadores de esperança.

Hoje sei que não me interessa qual é o teu tempo na realidade, se vives em júpiter ou em marte. O que sei é que sintonizamos a mesma frequência e somos os dois muito simples na arte do Amar. Não amar um ao outro, ou um e outro, mas Amar a vida, o próximo e a natureza. O que sei, é que correrei todos os planetas e até aqueles que já não constam, só para poder estar contigo.

Teletransporto-me agora... recebe-me só...

Escrito para Fábrica de Histórias

[2012/01/15]

Mafalda Veiga - Imortais

Especialmente hoje recordo quando eramos crianças e corríamos pelos corredores daquela mansão, alegremente. Corrias atrás de mim e eu fingia não querer que me apanhasses num jogo de charme tão inocente quanto inocente pode ser uma criança. Anos mais tarde voltamos a falar daqueles tempos. Conhecemo-nos há uma vida, não é? - E talvez um pouco mais. Existe entre nós um amor tão puro que não se rende às pressões constantes que esta vida de adultos nos impõe. Lembras-te como as nossas gargalhadas rompiam pela casa dando-lhe uma vida que ainda hoje parece perpetuar, não obstante todas as ausências? Tenho saudades desse tempo e de ti, minha criança doce, amiga, meu menino de alma pura que me encanta - onde estás?
Lembras-te? - Mais crescidos continuamos as brincadeiras só nossas, que mais ninguém percebia o que era para nós um motivo maior de alegria. Tão bom sermos os únicos a saber desta nossa felicidade, não achas?
Hoje, corro por uma mansão cheia de labirintos de portas fechadas, não de ti, mas em busca de ti. Não de te agarrar, ou de te prender, mas de te encontrar e de em ti me reencontrar. A minha voz também se cala para se juntar à tua e as gargalhadas são omissas. Por vezes são as lágrimas que me fazem continuar a avançar e a querer perpetuar as nossas memórias. Por vezes penso que te encontro, volto a escutar a tua voz e de novo de imensa alegria se inunda a minha alma, mas a casa é tão imensa, as portas são tantas, que invariavelmente entro dentro de um espaço vazio até sentir o desespero tomar conta de mim.
Há dias em que tudo é mais pacífico, em que existe uma aceitação de que crescemos e não somos mais aquelas duas crianças tão cúmplices. Custa-me perder-te assim -não perder-te na verdadeira essência, porque eu sei e tu sabes que seremos sempre o outro lado da mesma moeda, mas custa-me não partilhar mais as gargalhadas contigo, os jogos de sedução, o dar de um dar tão genuíno e o receber de um receber tão disponível.
Queria voltar a ser criança, a tua criança, aquela que recebeste nos teus braços quando ninguém olhava e a quem disseste ao ouvido aquilo que tu sabes. Corrijo: serei para sempre a tua criança, e estarei sempre do outro lado daquela porta da qual guardas a única chave que lhe serve, que a abre.
Vem, eu prometo que fujo para que me persigas, e prometo deixar-me apanhar para te atiçar o desejo, sim, porque já não somos mais crianças. Vem, que eu volto a fugir e correrei o mais que puder para prolongar este jogo que nos mantém unidos até nas ausências...

[2012/01/13]

Do reino do para além do bonito... e tão TU... 




Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve breve
instante da loucura.

[2012/01/07]