14:41


É nestas flores, em particular,
que vejo desenhar-se uma linha que me leva
de mim a ti, passando sobre um campo
invisível, onde já não se ouvem os pássaros,
e onde o vento não faz cair as folhas.
Estamos em frente de um canteiro 
puramente abstracto,
e cada uma destas flores 
nasceu das frases em que o amor se manifesta,
e do movimento dos dedos sobre a pele,
traçando um fio de horizonte 
em que os meus olhos se perdem.
Por isso estão vivas, 
e alimentam-se da seiva 
que bebem nos teus lábios, quando os abres,
e por instantes a vida inteira se resume 
ao sorriso que neles se esboça.

Nuno Júdice

[2009/05/06]

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Agarrada a uma escada de corda suspensa nem sei bem onde,
vou subindo degrau a degrau com mais ou menos dificuldade.
Por vezes é tal a violência com que a escada abana
que sou levada de sopetão de um lado para outro.
Muitas vezes fico ferida, atirada contra a realidade implacável.
mas vou aguentando quase que estóicamente os abanões
e prosseguindo teimosamente a minha escalada...
já se me resvalaram os pés e tive de recomeçar
Já avancei mais do que alguma vez pensei poder avançar
Já chorei e pensei que tudo ia acabar,
que a escada não me levava a nenhum lugar...
Que talvez o melhor fosse mesmo parar.

Mas parar é desistir, e desistir é fracassar...
por isso irei sempre continuar
Mesmo que isso signifique voltar atrás e recomeçar...

Às vezes é inglório o esforço
parece que nada vale a pena, mas...

"Tudo vale a pena se a alma não é pequena"

[2009/05/05]

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. @olhares.com por BrunoR

Existem tantas flores de tantas cores nos meus pesadelos...
Serão pesadelos?

Existem tantos aromas doces e alegres nos meus pesadelos...
Serão pesadelos?

Mas existem tantas lágrimas salgadas nos meus sonhos,
Serão sonhos?

Existem tantas batalhas interiores nos meus sonhos,
Serão sonhos?

Preciso acordar... e algo se irá revelar...

[2009/05/04]
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10:32


mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses 
as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz. 
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente. 

pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste 
tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te 
desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente. 

às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo, 
a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia 
mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz. 

lê isto: mãe, amo-te. 

eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não 
escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que 
não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não 
as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes. 

José Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão"

[2009/05/03]
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14:20


Às vezes dá-se-nos um clic...

E ao ler uma referência ao grupo que marcou bastante uma determinada época da minha vida, fez-se luz e lembrei quanto, mas quanto eu cantava esta canção...

Gosto imenso, deixo-vos para o feriado...



Dont ask me
What you know is true
Dont have to tell you
I love your precious heart
I
I was standing
You were there
Two worlds collided
And they could never tear us apart

We could live
For a thousand years
But if I hurt you
Id make wine from your tears

I told you
That we could fly
cause we all have wings
But some of us dont know why

I
I was standing
You were there
Two worlds collided
And they could never ever tear us apart


[2009/05/01]